Taxistas que conversam… sozinhos!
Como sabem, eu (ainda) não dirijo. Por isso, dependo sempre de meios de transporte alheios a mim para ir aonde quero. Caronas com os pais, com amigos ou com motorista são convenientes. Ônibus são baratos e suprem as necessidades durante o dia. Mas há um meio de transporte em particular que uso com certa frequência: o taxi.
O taxi é conveniente pelo fato de que você viaja sozinho (fora o motorista), sem dividir o espaço com os outros. A parte ruim é, logicamente, o preço. Apesar de Recife ter tarifas de taxi consideradas baixas em relação a outros lugares do Brasil, com dois reais um ônibus te leva do centro da cidade ao terminal de Setúbal, e um taxi não deixa nem você entrar. Mas isso não me incomoda muito no taxi, já me acostumei com os preços. O que incomoda são alguns motoristas de taxi.
Não tenho nada contra quem dirige taxi, pelo contrário, me salvaram diversas vezes. Mas é que o motorista de taxi faz uma pré-suposição que nem sempre está correta: que o cliente quer conversar. Sim, nada de errado em conversar, mas as vezes você está cansado, chateado ou simplesmente não quer abrir a boca: quer só chegar a sua casa. E parece que eles adivinham esses momentos, pois quando você menos quer, começa a conversa. Antes que achem que eu sou estupidamente chato, quero dizer que geralmente não me incomodo em conversar no taxi, até gosto (dependendo do assunto). Mas duas coisas chamam minha atenção em corridas de taxi.
A primeira é quando o taxista tem uma opinião totalmente oposta à sua. Por exemplo: eu votei em Serra e o taxista votou em Dilma. Em situações normais, eu falaria de política defendendo meu candidato, as visões dele. Mas pare para pensar: o interlocutor está ao volante e você é impotente naquele veículo. Sabe-se lá se o cidadão tem um ódio mortal do PSDB? Vai que ele é PTista ferrenho? Ele não vai gostar dos meus argumentos, pode se irritar comigo. Isso pode seriamente afetar tanto o humor do cara (que pode parar o carro e dizer “desce”) quanto a atenção dele na estrada. E, se ele começar a defender com vigor um ponto de vista, as chances de perder o controle do carro ou bater por acidente aumentam consideravelmente! Por isso, dentro de taxi eu viro PTista, viro evangélico, viro ateu, viro naturista, enfim: concordo com o que quer que seja que o taxista comentar.
O segundo ponto que me chama a atenção (e esse me irrita um pouco) é quando o taxista não está satisfeito em conversar. Ele quer conversar sozinho! Ele fala, fala, fala, fala… E não deixa você falar. Muitas vezes eu entrei num taxi achando que o cara iria conversar comigo, mas tudo não passou de um monólogo. E isso geralmente ocorre em corridas grandes: quando é daqui para ali, ele fica quietinho, mas quando é de Candeias para o Pina, muitas vezes ele liga o modo metralhadora e fala sem parar.
E sei que não estou exagerando pois baseio tudo isso em fatos reais, e um deles bem recente. Escrevi esse texto logo após voltar da casa de minha namorada. Adivinhem como eu voltei? Sim, de taxi. Ao entrar, fiz o seguinte comentário:
Engraçado, calçaram essa rua inteirinha menos esse pedaço em que estamos, e a prefeitura dá a rua como inteiramente calçada.
Pronto, só isso foi necessário. Essa foi a fala de que mais me arrependi o dia inteiro. Bastaram essas palavras para o taxista falar a viagem inteira! A conversa estava tão grande que começou nesse assunto e terminou com ele contando sobre a mulher que vende galinhas perto da casa dele. Tá, tudo bem se fosse uma conversa, mas ele não me deixava falar! O máximo que conseguia fazer era, como sempre, concordar. Eu nunca disse tantas vezes “aham”, “é verdade” e “concordo” na minha vida, tenho certeza!
Enfim, cheguei a minha casa, paguei e pronto, o monólogo terminou. Agora não me deixe aqui com cara de taxista que fala sozinho! Participe também pelos comentários, conte suas histórias de taxista, todo mundo tem uma para dividir!
