Declaração de amor
Ah, o amor. Sentimento tão bonito que une dois corpos separados em um só. Em todos os sentidos que você queira interpretar. A cultura atual possui várias determinações, e uma delas é que as pessoas que amam alguem devem demonstrar seu amor. Há várias formas de fazê-lo: desde as clássicas, como o bouquet de rosas, até as mais elaboradas.
Quando vim morar no prédio que habito hoje, há pouco mais de um ano, uma das primeiras coisas que reparei ao olhar pela varanda foi uma frase escrita em letras garrafais em uma das ruas do cruzamento onde o prédio fica. A frase era “Te amo, Kinha”.
Eu não acho que a ideia do amante (“amante” = pessoa que ama) em questão foi muito boa. Vamos analisar as possibilidades. Três coisas podem acontecer:
- Kinha gostava do rapaz e ficou lisongeada com a declaração. Ela achou muito lindo e ficou com o amante.
- Kinha gostava do rapaz, mas achou a homenagem extravagante. Ela se irritou e terminou qualquer tipo de relação com o amante.
- Kinha não gostava do rapaz, e depois disso passou a detestá-lo ainda mais, pois agora o vê como um perseguidor, alguém desagradavel.
Das três possibilidades, duas são contra nosso guerreiro corajoso. A probabilidade está contra ele, mas probabilidade não quer dizer realidade, necessariamente. Ignorando outras variáveis, há 33,3% de chance de Kinha ter gostado da homenagem e ter ficado com o amante. Mas as coisas não terminam aí.
Poucos dias antes da Semana Santa, ao voltar do colégio, olho pela varanda e me deparo com algo interessante:

- Dúvida: por que justamente a rua do meu prédio? Não há outros lugares para declarar seu amor?
Sim, senhoras, senhores e pronomes de tratamento em geral! Outra declaração de amor, dessa vez bem maior e mais vívida, de um outro amante para a Lívia! É inerente ao ser humano o sentimento de inveja. Querendo ou não, todos nós queremos algo de outra pessoa, nem que seja algo pequeno, mas queremos.
Supondo que a Kinha tenha gostado da declaração do seu amante e que eles estivessem juntos até o momento, qual seria a reação dela? Eu responderia sem medo de errar: ela iria dizer para nosso herói coisas como “Por quê fizeram uma declaração maior?” e “Ele ama aquela mulher muito mais do que você me ama!”.
No momento atual, eles devem estar brigados. Kinha deve ter parado de falar com ele, e provavelmente não estão se vendo mais. E por que tudo isso aconteceu? Por que nosso criativo Romeu teve a brilhante ideia de proclamar seu amor no concreto da rua.
O que podemos tirar dessa história? Ao meu ver, a moral é clara: ao se apaixonar, não escreva seu amor no meio da rua! Você não sabe quando algo pode dar errado. Se o romântico autor da declaração para Kinha estiver lendo, boa sorte no seu próximo namoro. Se o autor da homenagem a Lívia estiver lendo, você sacaneou legal o primeiro! Se você não for nem um nem outro, vá para os comentários e vamos falar sobre declarações de amor! Te espero lá e até o próximo post!

